No levantamento feito pela CNT na Pesquisa Viagem Segura, de outubro de 2022 até outubro de 2023, entre os 10 trechos rodoviários mais perigosos do Brasil, 5 deles estavam na BR-101/SC.
Não bastando, se afunilarmos a análise de 2023 para os 5 trechos mais perigosos em número de acidentes do Brasil, 3 deles eram na BR-101 em Santa Catarina.
Tabela 1. Os 10 trechos rodoviários mais perigosos do Brasil em número de acidentes em 2023
Fonte: Viagem Segura. CNT, 2023.
Em primeiro lugar, do km 200 ao 210, correspondente ao trecho em que a BR-101/SC corta o município de São José, houve 529 acidentes durante o período de análise, com razoável distância para o segundo colocado, que computou 415 acidentes.
Outro trecho da BR-101/SC está em terceiro lugar na lista, no trecho subsequente ao primeiro citado, no km 210 ao km 220, entre os municípios de São José e Palhoça. Neste segmento, foram computados 364 acidentes.
O outro trecho da BR-101/SC está em quinto lugar, correspondente ao km 130 a 140, no município de Balneário Camboriú. Neste segmento, foram computados 301 acidentes.
Ainda completavam a lista, em nono, o km 190 ao 200 (Biguaçu-São José), com 249 acidentes, e em décimo, km 110 a 120 (Itajaí-B. Camboriú), com 235 acidentes.
Pesquisa atual
Já no levantamento realizado entre outubro de 2023 até outubro de 2024, 3 trechos dos 5 mencionados na pesquisa anterior permanecem na lista dos 10 trechos rodoviários mais perigosos por número de acidentes.
Não obstante, os 3 trechos rodoviários que permanecem no Top 10 de mais perigosos do Brasil registraram aumento de acidentes. Os 2 trechos que saíram do ranking, não necessariamente apresentaram queda, como será explanado mais adiante.
Tabela 2. Os 10 trechos rodoviários mais perigosos do Brasil em número de acidentes em 2024
Fonte: Viagem Segura. CNT, 2024.
Em primeiro lugar, o trecho rodoviário mais perigoso do Brasil permanece sendo o km 200 ao 210, em São José, com 564 acidentes, com 35 acidentes a mais que o levantamento anterior.
Na quarta posição, aparece o trecho 210 ao 220, entre São José e Palhoça, com 397 acidentes, com 33 acidentes a mais que a pesquisa de 2023. Já na sexta posição, o trecho do km 130 ao 140, em Balneário Camboriú, com 318 acidentes, sendo 17 acidentes a mais que o levantamento passado.
Os números apresentados acabando escancarando que a BR-101/SC não tem recebido a atenção que deveria receber, por ser concessionada, no quesito de segurança viária. Não há indícios de diminuição de acidentes, e ainda, os outros dois trechos que outrora estavam entre os mais perigosos, não necessariamente saíram da lista por diminuir a incidência de acidentes, como veremos a seguir.
Comparação Pesquisa CNT Viagem Segura 2023 x 2024 – Recorde da Região Sul do Brasil
Além do recorte a nível nacional, a Pesquisa Viagem Segura também traz um recorte dos trechos rodoviários mais perigosos da região Sul do Brasil.
Tabela 3. Os 10 trechos rodoviários mais perigosos da Região Sul do Brasil em número de acidentes em 2023
Fonte: Viagem Segura. CNT, 2023.
Nota-se, que em 2023, dos 10 mais perigosos, 8 deles eram em Santa Catarina, sendo que destes, 7 trechos são na BR-101/SC Norte, trecho administrado pela Arteris Litoral Sul.
Os 5 primeiros trechos vistos na Tabela 3 são os mesmos já descritos que aparecem no ranking nacional dos mais perigosos do país por número de acidentes.
Nota-se, que os outros 2 trechos na lista de mais perigosos do Sul do país, apresentam um padrão: em sétimo lugar, o trecho 120 ao 130, entre Itajaí e Balneário Camboriú, com 178 acidentes computados, correspondendo ao trecho seguinte ao km 110 e 120, que está na quinta colocação na lista do Sul do Brasil e em 10º no ranking nacional.
Já na nona colocação do ranking referente à região Sul do país, está o trecho 140 e 150, entre Balneário Camboriú e Itapema – com 174 acidentes – que é o segmento subsequente ao km 130 ao 140, que está em terceiro no ranking da região Sul, e em quinto no ranking nacional dos trechos rodoviários mais perigosos por acidentes do Brasil.
Ou seja, do km 110 até o 150, que cortam os municípios de Itajaí até Itapema, e os km 190 até 220, que cortam Biguaçu, São José e Palhoça, na Grande Florianópolis, estão os trechos mais críticos não somente em quantidade excessiva de tráfego e nível de serviço baixo, mas também os piores em acidentes, reflexo conjunto dos dois fatores citados anteriormente.
Ainda, observa-se que os trechos supracitados da BR-101/SC de Itajaí até Itapema, e de Biguaçu até Palhoça, somados, computam 2.030 acidentes de outubro de 2022 até outubro de 2023, corroborando o argumento da necessidade maior atenção a segurança viária e manutenção e ampliação de capacidade, visando diminuir o número de ocorrências.
Já na Pesquisa Viagem Segura de 2024, Santa Catarina permanece com 8 trechos rodoviários mais perigosos do Sul do Brasil, sendo que os mesmos 7 trechos da pesquisa anterior são na BR-101/SC Norte.
Tabela 4. Os 10 trechos rodoviários mais perigosos da Região Sul do Brasil em número de acidentes em 2024
Fonte: Viagem Segura. CNT, 2024.
O aumento de acidentes dos três primeiros trechos, que aparecem no ranking nacional, já foi mensurada anteriormente. O trecho que aparece em quarto lugar, que é o km 110 ao 120, computou 256 acidentes, sendo 21 ocorrências a mais que o ano anterior.
O trecho do km 140 ao 150, em sexto lugar na região Sul, registrou 232 sinistro na localidade, 52 ocorrências a mais que a pesquisa anterior. Já o trecho do km 190 ao 200, foi o único que apresentou queda de ocorrência, com 228 sinistralidades, com 21 ocorrências a menos.
Por fim, em oitavo lugar, o trecho do km 120 ao 130, foi palco de 216 acidentes, com 42 ocorrências a mais que o levantamento anterior da CNT.
Logo, em 2024, os trechos de Itajaí até Navegantes, e de Biguaçu até Palhoça, registraram 2.211 acidentes, computando um aumento de 181 acidentes nos referidos segmentos em comparação ao anterior, corroborando novamente que a cada ano, a situação da BR-101/SC se agrava, não somente na insuficiência de capacidade de suportar a quantidade de tráfego, mas também na diminuição de sua capacidade em evitar acidentes.
César Henrique Barzotto Antunes
Coordenador do Observatório Fetrancesc