Estudo da Fetrancesc resgata documento do Governo Federal que apontava necessidade de 502 km de duplicações em Santa Catarina

Estudo da Fetrancesc resgata documento do Governo Federal que apontava necessidade de 502 km de duplicações em Santa Catarina

Um estudo técnico elaborado pela Fetrancesc, Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina, resgatou um documento do próprio Governo Federal que, há quase 10 anos, já apontava a necessidade de duplicação de mais de 500 quilômetros das rodovias federais que integram os Lotes 1 e 3 das concessões em estudo pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Federação é favorável às concessões, mas defende que a modelagem seja aperfeiçoada para garantir investimentos estruturantes compatíveis com as necessidades atuais e futuras de Santa Catarina.

O estudo recupera a Nota Informativa nº 46/2018, elaborada pelo então Ministério dos Transportes a partir de estudos de viabilidade concluídos em 2016 para os corredores das BR-153, BR-282 e BR-470. Segundo o documento, dos 544 quilômetros analisados, 502 quilômetros, mais de 92% da extensão, necessitavam de duplicação para garantir capacidade, segurança viária e fluidez do tráfego.

Para a Fetrancesc, o dado demonstra que a necessidade de ampliação dessas rodovias não é uma reivindicação recente do setor, mas uma conclusão técnica do próprio Governo Federal. A Federação questiona a redução das obras estruturantes na modelagem atual e defende que o Governo Federal participe com investimentos estratégicos, por meio do Ministério dos Transportes e DNIT, complementando os recursos das concessões.

“As concessões são uma oportunidade para ampliar os investimentos na infraestrutura rodoviária. O que defendemos é que o modelo seja estruturado para resolver os gargalos históricos da nossa malha e acompanhar o crescimento econômico de Santa Catarina”, afirma o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider.

Comparação com o Paraná
A análise também compara a proposta catarinense com o programa de concessões implantado no Paraná. Nos seis lotes paranaenses, serão concedidos aproximadamente 3.300 quilômetros de rodovias, dos quais 1.780 quilômetros serão duplicados, o equivalente a 52% de toda a malha concedida, além de investimentos estimados em R$ 48 bilhões. Em Santa Catarina, os Lotes 1 e 3 preveem a concessão de aproximadamente 680 quilômetros de rodovias por um período de 30 anos, mas contemplam apenas 79 quilômetros de duplicações, o que representa 11% da extensão total.

“Santa Catarina não está pedindo nenhum tratamento privilegiado. O que estamos defendendo é isonomia técnica. Temos uma demanda de tráfego, uma frota e uma dependência do transporte rodoviário que precisam ser consideradas na construção da concessão. Queremos um projeto dimensionado de acordo com a realidade do Estado e com a infraestrutura que a nossa economia precisa”, destaca Schneider.
A Federação participou de todas as audiências públicas promovidas pela ANTT em Santa Catarina e em Brasília sobre os Lotes 1 e 3. Para a entidade, a experiência da concessão do trecho Norte da BR-101 reforça a necessidade de construir contratos mais robustos e aderentes às demandas do Estado.

“Não queremos que Santa Catarina tenha que esperar mais 10 ou 15 anos para descobrir que os investimentos previstos não foram suficientes. O momento de fazer a concessão adequada é agora. Precisamos aprender com o que já aconteceu e garantir que os novos contratos entreguem a infraestrutura que Santa Catarina precisa, hoje e no futuro”, conclui Dagnor Schneider.

Fonte: Fetrancesc
Foto: DNIT

 

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